Ensaio Fotográfico: Bruno Fernandes
Santa Catarina é o quinto maior produtor de alimentos do Brasil. Só que o Estado, que já sofria com eventos como chuvas fortes seguidas de enchente e estiagem, tem assistido a mudanças climáticas que estão fazendo com que esses eventos extremos fiquem mais constantes e violentos. E, com isso, os produtores de alimentos estão sofrendo.
O território catarinense se divide em três áreas básicas, com condições de relevo e clima distintas: o oeste, o centro e o leste. No oeste estão concentrados os grãos, especialmente feijão, milho e soja, e a criação de suínos, aves e bovinos. No centro do estado, com regiões mais elevadas e, por isso, um clima mais frio, se destacam produções que dependem de temperaturas mais baixas, como maçã e uva, além de focos de produção de grãos. Já a leste do estado, na costa oceânica, o clima tem características mais tropicais: quente e úmido. Com isso, espécies como arroz irrigado, hortaliças e banana se desenvolvem bem na região. Também há criação de bovinos lá.
Cada uma dessas regiões já está acostumada a eventos climáticos extremos que costumam afetar a produção. O oeste costuma ser afetado por estiagem e o leste por chuvas intensas seguidas de alagamentos. Mais a sul, uma área de baixa pressão e instabilidade meteorológica favorece o aparecimento de ventos fortes e tornados.
Um estudo feito pela Epagri confirmou o que os produtores já sentem na pele nos últimos dez anos: esses eventos extremos estão ficando mais severos e mais constantes, o que parece ter relação com o aumento aumento de temperatura no ar e no oceano registrado nos últimos 50 anos no Estado. Santa Catarina está entre 1,4ºC e 3,2ºC mais quente.
Em 2006, por exemplo, uma estiagem de quase um ano afetou 80% da produção do oeste do Estado. Não há contabilização de quanto se tenha perdido de dinheiro, mas levando em conta que a região possui grande concentração de produção de grãos, que produzem no máximo duas safras por ano, dá para se ter uma ideia do tamanho do prejuízo: diversos agricultores perderam a produção de um ano inteiro.
Já em 2008 as chuvas fortes que caíram no leste do Estado afetaram 38.800 propriedades rurais espalhadas por 74 municípios e causaram um prejuízo de R$ 526 milhões de reais. Essa quantia estima apenas a perda da safra em cultivo durante a chuva. Danos ao solo e às propriedades, que inviabilizam a continuidade imediata da produção, não foram contabilizados.
Esse aumento de temperatura também afeta diretamente as culturas que precisam de frio para sobreviver. Resultado: o feijão, a uva e a maçã já começam a ter suas produções prejudicadas, o que deve se agravar com o tempo. E, como a maioria absoluta (87%) das propriedades rurais de Santa Catarina são fazendas familiares de pequenos produtores, os danos são ainda maiores.
Tetsuo Shimura
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Publicado em 30.07.2010
Juarês José Aumond
As mudanças climáticas vieram para ficar. Isto sempre aconteceu no passado geológico e histórico e não é porque nós humanos estamos aqui que a natureza das coisas vão mudar. Em minhas andanças e pesquisas na região pudemos constatar que 3.000 anos antes de Cristo uma eustasia (subida do nível do mar) de cerca de tres metros inundou grande parte das planícies catarinenses com água salgada. Ilhota, Gaspar estiveram cobertas por uma lâmina de água salgada de cerca de tres metros. Os sambaquis bem consolidados identificados no município de ilhota e conchas de pelecípodos marinhos dentro da área urbana de Gaspar enterradas na lama antiga a 2 metros de profundidade atestam a invasão marinha. E o que é mais assutador: a subida do nível do mar deu-se antes da revolução industrial (portanto ainda não tínhamos emitido tanto CO2 na atmosfera. Mais: essa subida do nível do mar não foi num período geológico mas sim histórico de poucas gerações. Isso deve servir de alerta pois agora tem a nossa contribuição de gases muita mais acelerada que no passado para a atmosfera. Temos muito a refletir sobre o passado para entendermos as mudanças atuais e nos preparar para o futuro.
Publicado em 01.08.2010
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Publicado em 10.01.2012
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Publicado em 09.01.2012
Livia
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Publicado em 06.01.2012
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Publicado em 06.01.2012
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Publicado em 07.01.2012
Paulo
- Adversidades climáticas na agricultura não são recentes, porém é a maneira como um governo de uma nação enfrenta essas questões que o define como estrategista e prudente ou mediocre. É sabido que os alimentos que compõe a cesta básica tem sua origem principalmente em pequenas e médias propriedades rurais, porém o que vemos nos últimos tempos é imputar ao produtor rural a responsabilidade pelo desmatamento e dando ao pequeno é medios agricultores poucas ferramentas para enfrentar os anos difíceis de safra, seja quando há perdas e pouca colheita ou quando há excesso de oferta e preços baixos. Infelizmente os políticos profissionais e nacionais têm negligenciado esse assunto e sempre usam da figura do pequeno e médio produtores rurais para conseguirem benefícios aos grandes empresários do agronegócio e multinacionais do setor, exemplo disso é que neste momento se rediscute o código florestal. Eles poderiam aprender um pouco com a história e perceberem que a falta de alimentos sempre foi e sempre será o principal motivo gerador de tensões sociais.
Publicado em 30.07.2010