A devastação do gesso

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O vídeo acima foi gravado na mina de Antonio Campos, o "Grandão", um dos filhos de Domingos de Campos, o descobridor do gesso no sertão do Araripe. Encontramos Grandão por acaso enquanto rodávamos pela região. Ele nos contou muitas histórias dos tempos antigos da mineração. Disse que é apaixonado pelo sertão e que acha a caatinga "muito linda".


É fácil perceber quando você chega à região do Araripe, no coração do sertão, na fronteira tríplice entre Pernambuco, Ceará e Piauí. A mata fechada da caatinga, espinhenta como arame farpado, de repente desaparece. No seu lugar, a terra poeirenta exposta, seca, cada vez mais parecida com areia. No horizonte, nuvens brancas saem de chaminés. É pó de gesso, finíssimo. Em alguns lugares, o pó recobre a mata e a terra, esbranquiçando tudo. A região é onde a caatinga está mais ameaçada e é um núcleo importante de desertificação.

Também é fácil notar a prosperidade nas cidades do Araripe. Muitos 4 X 4, muitas lojas. Na praça central de Trindade, uma agitação de motos e operários se concentra em acertar os últimos detalhes antes da abertura da 2a Expogesso. O setor tem mais de 600 empresas, entre minas, fábricas e fornecedores. Emprega 80 mil pessoas, movimenta mais de 1 bilhão de dólares por ano. Está crescendo como chinês neste momento do boom da construção civil. 95% do gesso consumido no Brasil vem de lá. Lá perto, as obras da ferrovia Transnordestina anunciam que em breve o Araripe será diretamente conectado ao porto de Suape e ao mercado internacional. Mais prosperidade pela frente.

Para fazer o gesso, o primeiro passo é escavar a gipsita, que é abundante lá. A rocha é então moída e levada a um forno, onde as altas temperaturas desidratam o minério. O produto é o cal.

O maior problema ambiental do gesso é que os fornos são alimentados a lenha. Isso, além de emitir carbono, gera desmatamento. Hoje o Sebrae local está incentivando a adoção de madeira de manejo: o que resolveria o desmatamento mas não a emissão de gases. O Ibama eventualmente aparece na região e fecha uma ou outra empresa irregular – no ano passado 56 fábricas foram autuadas e fechadas, mas muitas reabriram desde então depois de pagar multa. O uso de madeira ilegalmente extraída ainda é generalizado, segundo os produtores que estão regulares.

A mineração também é muito impactante, como costuma ser. Vimos um surreal “canyon artificial” lá, criado pelo rasgo que fizeram no solo a dinamite e picareta. Outros problemas têm a ver com o pó de gesso, que é muito fino e tende a se espalhar. Muita gente tem problemas respiratórios e áreas de caatinga estão sendo sufocadas pela fina camada branca. A modernização do processo produtivo, com máquinas seladas que não deixam escapar tanto pó, melhorariam bastante a situação.

Além de maior produtor de gesso do Brasil, o Araripe é o quarto maior produtor de mel. Se a caatinga acabar, acaba o mel.

 

Luis Antônio Baliza

O que eles fazem com essa terra, não estão nem aí. Só querem ganhar dinheiro, esses capitalistas imundos. Outra ponto; nas escolas devia ter Educação Ambiental, para mostrar o tanto que o homem erra e, ainda continua errando.

Publicado em 30.08.2010

Conselheiro

Pois é, Baliza. Ainda estamos praticando o capitalismo predatório do seculo 19. Finalmente a Revolução Industrial chegou ao Araripe.

Publicado em 07.09.2010

valdemar batista alcarde

Não se pode ganhar dinheiro às custas do meio ambiente, destruindo, arrebentando, emporcalhando, poluindo. Não sou contra o capitalismo, mas isso é ´inaceitavel. isso é capitalismo selvagem, do século retrasado. É nestes momentos que o Estado deve ser forte. E para ser forte não preciso ser dono de uma Petrobras, de uma Vale ou de um Banco do Brasil. Um Estado deve ser muito forte nas suas istituições. O governo federal deveria impor, atrave´s do Ibama, do ministerio das minas e energia as condições para a exploração do gesso na região do Araripe

Publicado em 11.09.2010

nissota

Pessoal, não adianta xingar, esbravejar, aqui. Tem de ser feito algo, concordo. Ofim, já sabemos. Porque nao achamos uma soloução para os 80.000 empregados que precisam do "gesso"?? Não fiquem responsabilizando os governos, eles não vão, jamais mexer uma agulha. Está gerando impostos, mais dinheiro para os bolsos dos politicos, mais propinas, para que coisa melhor do que isso? SEMPRE DIGO, VOU REPETIR. O POVO É RESPONSAVEL POR TUDO ISSO. QUEM VOTA NOS LADROES, QUEM ACEITA PROPINAS, QUEM OFERTA AS PROPINAS?? "SOMENTE O PROPRIO POVO".

Publicado em 16.04.2012

Hassan

Dear Sir/Madam We are plater(gesso)dealer in UK. and North America. We need plaster (gesso) for moulding and casting. please send us the address or website or email of plaster(gesso) producers. Best regards, Hassan

Publicado em 12.04.2012

Fernando

"Não se pode agredir a caatinga para ganhar dinheiro". Vocês acham que o sertanejo que passa fome vai se preocupar com isso? Ele precisa, antes de cuidar da natureza, sobreviver. Quando descobrirem métodos melhores para que as indústrias possam atuar e gerar empregos, vocês poderão reclamar de alguma coisa, até lá, coloquem-se na pele de um sertanejo e fiquem calados.

Publicado em 21.02.2012

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Publicado em 10.01.2012

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Publicado em 09.01.2012

Jayna

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Publicado em 06.01.2012

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Publicado em 07.01.2012

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Publicado em 07.01.2012

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